É tanto querer mal querido
Tanto beijo mal dado
Tanto abraço mal-amarrado
Que espanta o bem feito
Bem arrumado
Bem bonito.
Encanta o bem dito.
Bem pronunciado,
Bem medido.
Duvida o que aparece assim, de repente.
Pode ser só um modo de ser
De ser falado, dito.
Um modo de se dar por abraçado
Nada mais.
Duvidar, até duvido.
Mas finjo que minto
E acredito.
Tantos bens num só.
Têm que ser coisa do destino.
Parecem vazias as minhas mãos
Antes tão ocupadas com teu cheiro
Meus cabelos têm-se despenteado
Sem mãos que os mexam
Sem mãos que os trancem
Minha boca sorri, sem outra que a imite,
A beije, a acaricie.
Meus olhos perderam o “olhar-resposta” profundo
Que dizia te amo, só de olhar.
Perderam o corpo grande de abraçar, os meus braços.
Ainda lembro das tuas mãos no meu corpo
Eu, como sua.
Meus cabelos em ti
Que pena,
Com tudo isso,
Preferimos assim.
Quando te tinha por perto, meus versos não eram pra ti.
No fundo tinha medo de que o fossem, desmerecidamente.
E, de fato, o seriam, se fossem para ti.
Quando decidi deixar-te, foi porque queria te esquecer.
Mas foi também, porque, no fundo, meu lado romântico
Acreditava: você não vai viver sem mim.
No fundo aquela sensação de que eu iria descobrir que fui injusta, persistia.
Mas não foi bem assim.
Você não sentiu falta.
Sequer ligou-me.
A historia que disse, acabaria por mim,
Continua aí.
Forte e latente.
Amor, no fim.
Vejo então: fiz o melhor.
Você não era pra mim.
Ainda que eu quisesse.
O que eu cansei foi ser um encosto pra você.
Ainda assim,
Quando você não está bem,
Basta olhar nos seus olhos,
E eu sei.
Basta você não está bem,
Que eu também não fico bem.
Mas não há mais o que se fazer.
Eu não tenho importância alguma na sua vida.
Pra que insistir?
Era uma vez, a menina de olhos baixos.
Houve o dia, em que a menina de olhos baixos - tão pouco experiente, tão pouco sábia - viu-se a pensar o que seria de si, se não houvesse mais amor.
Essa menina, de olhar às vezes triste, sorriso tímido ao falar, desesperou-se quando se imaginou, sem por ele ser amada, sem aqueles óculos, aquele corpo magro e aquela voz. Ah... Aquela voz, simplesmente... Grave!
No dia triste, em que a menina achou ter perdido todo o amor que lhe restava, lembrou de cada abraço, de cada toque, de cada palavra. Foi lembrando de tudo isso; a cada dia, a cada momento. E, ao mesmo tempo, tentou esquecer, tentou fazer de tudo aquilo o simples, uma lembrança distante.
E veio o dia da dúvida, quando a menina de olhos baixos, sentiu que tudo aquilo poderia ter volta, foi no dia em que ele viu que a podia ter perdido.
Nesse dia, ele a procurou e a tratou como se tudo, ou melhor, como se nada, tivesse acontecido, como se tivessem voltado daquele ponto, antes do ponto, antes do beijo, antes do abraço, antes do toque, antes do “OI”, aquele ponto, em que eles se olharam, em que eles se amaram, à primeira vista.
Veio depois, o dia do novo, em que ELE estava sempre próximo, em que ELE puxou assunto. Este dia, tão cheio de sentimentos, arrepios, duvidas e devaneios, antecedeu o dia do toque que antecedeu o dia do beijo que antecedeu o ponto último, muito depois daquele ponto, que veio depois do ponto que iniciou tudo.
Veio então o dia do toque, depois de um olhar, no meio da multidão, no meio de um grupo de amigos. A menina de olhos baixos, sentada, por acaso (embora não fosse ao acaso) ao lado dele, sentiu, de repente, naquela peça, aquelas mãos, nas suas mãos (minha mão na sua mão), um carinho inexplicável, aquele coração disparado, incrivelmente. Aquele cheiro de homem, seus óculos, quase tocando aquele rosto. Sentiu aquelas sardas saírem daquela pele e penetrarem na sua e tudo isso, apenas no dia do toque.
Do dia do toque, repetiram-se os toques, aumentaram-se os abraços, as mãos, os calafrios pelo toque, o coração disparado, a mente desesperada por uma ação, o medo do depois, a valsa dos enamorados, entre amigos, numa festa. Estava-se no dia do olhar, seguido e, ao mesmo tempo, o dia do beijo, o dia do abraço mais forte, daqueles de mãos na cintura. A menina de olhos baixos - tão pequena - olhou para cima, viu o seu rosto, o seu sorriso, o seu olhar que se aproximava, a sua boca que chegava, que tocava a sua, que se abria. A sua língua que se encontrava com a sua. Era então, o dia do ponto último, o que acaba, finaliza, concretiza e termina um fato. Que veio com a língua, com a boca, com o aproximar, com o dito pelo não dito, o compromisso assumido, sem pedido. Depois do olhar, depois do abraço, depois do toque, depois do arrepio, depois da dúvida, depois do coração disparado. Depois da distância, depois ponto, aquele ponto, antes do ponto, antes do beijo, antes do abraço, antes do toque, antes do “OI”, em que eles se olharam, e se amaram, à primeira vista...
E, agora, a menina tinha um sorriso verdadeiro, olhava pro alto, via à sua frente. Ah... Como estava feliz a menina de olhos baixos, agora tão altos...
Fiz-te versos que se perderam,
Pífios em seus conceitos;
Esquisitos em nosso beijo.
Fi-los de todas as formas.
Ainda assim,
Perderam-se nesse emaranhado de mulheres
Que ousam tomar-te de mim.
Os teus olhos – ora tão perto –
Distanciam-se por qualquer chamado
Qualquer beijo
A esperança, ora tão grandiosa,
Torna-se grão
Prolixo e estupefato
A você, meu amor,
Ao nosso beijo, perfeito,
Espero que ainda vos cheguem meus versos
Que vos cheguem antes do meu desamor
Pois, de sofrimentos e ignóbeis sentimentos,
Tenho sido só dor e lágrimas
Saudades e sensações
Dúvidas e medos.
Num dia quente, de pouca brisa, quando a noite caía e as cigarras cantavam, tudo parecia calmaria. Embora a falta de vento, a temperatura baixava um pouco, o que dava uma leve sensação de frescor.
Entre jantares, risadas em família, e uma televisão pulsante, ouve-se um barulho, seria o periquito brincando, como sempre? Mas ele não canta... Era o periquito, agonizando, como nunca.
Seu bico em desmanche por causa de uma doença grave, de mais de um ano, uma hora já não recebia mais a comida, agonizava de fome o coitado. Suas penas verdes pareciam um tanto quanto amareladas.
Está morrendo, recebeu-se a notícia. Que se há de fazer agora? Não há como salvar? Vamos tentar! Mas, então, entre as tentativas, deu-se o diagnóstico final: está morto.
Entre choros, abraços e um enterro caloroso, com direito a uma pequena lápide e algumas orações, onde até o cão sentia a perda, terminou-se o dia com chá de capim limão e hortelã, para tentar acalmar os ânimos e enxugar um pouco das lágrimas, que, de saudade, contavam um pouco, apenas um pouco, daqueles cinco anos de convivência...
Ah! Como eu queria continuar daquele ponto!
Nosso amor é tão lindo
Quantas vezes você se apaixona à primeira vista?
Quantas vezes isso não só acontece, como é recíproco?
Ah! Como eu queria olhar teus olhos sem óculos mais de perto
Como eu queria ver teu braço em minha cintura novamente,
Ver teu coração bater mais forte, como no primeiro toque.
Sentir teu cheiro, tão próximo...
Como eu queria EU tirar os seus óculos, beijar tua boca, reclamar dos teus defeitos...
Ah! Como eu adoro as tuas roupas vermelhas!
A tua brincadeira infantil, repetidas vezes, ainda me é engraçada...
E esse seu jeito augusto de ser palhaço...
Eu não sou uma criança que quer um pai
Sou uma mulher que quer um homem
Sou a tua mulher e quero você, MEU homem...
Ah! Como eu queria que você entendesse...
Eu acho que a gente devia esquecer essa história de igualdade pra lá, igualdade pra cá e se aliar a algum desses Movimento Preconceito.
Aí, sim, o mundo ia ficar bom! Essa moda de cota ali, cota acolá, isso ia acabar, com o tempo, a gente ia era fazer assim: Divide o Brasil em dois; da metade pra cá é de negro, da metade pra lá é de branco. E ai do Branco que ultrapassar a fronteira. Haverá canal de televisão pra branco e canal pra negro, o mesmo acontecerá de médico a cantor. Como esse vai ser o mundo da tolerância, ai de quem, por um acaso, ousar simpatizar com o que não condiz à sua etnia. Não se pode esquecer que haverá, também a faculdade negra e a faculdade branca. E ai daquele negro parente de branco que não morrer de vergonha por ter sangue branco na veia.
Eu acho, inclusive, que: nasceu com a pele clara, deve açoitar-se pelo menos uma vez ao dia. Afinal, não importa se esse “branco” tiver sangue de negro, nem importa se ele nunca tiver agido com preconceito, nem se sequer viveu na época da escravidão, ainda que ele nunca tem visto um negro na vida, tem a pele clara!? Então é fato, não presta, deve açoitar-se todos os dias...
E aquela história de que “no Brasil não tem negro, nem branco, nem índio, todo mundo é mestiço...” tudo mentira! Tudo história pra boi dormir... Aliás, um absurdo! No Brasil, ou se é negro, ou se é branco. Aí alguém pergunta: Mas e o índios? Que índios, rapaz!? Oxe... Índio nem existe mais! Existiram, lá na época dos colonizadores, nos dizimamos! Não é ótimo? Por que assim, agora, no Brasil, só se tem negros purinhos da África e brancos purinhos da Europa, se não tem mestiço, somos todos purinhos!
Até quem quiser morar aqui, chega no aeroporto e já responde: Você é branco, ou é negro?
E, bem, aí sim, você pode notar que o Brasil vai estar perfeito! Por isso, meu caro, essa história de igualdade, de não ter diferença alguma entre etnias, de viver em paz, como viram, é uma bobagem. O negócio é sempre haver um pra oprimir! Logo, faça como eu, alie-se ao Movimento Preconceito, lute pela causa e vamos, juntos... RUMO AO PRECONCEITO!!
Dos anos que mal vivi,
Devia ter feito suco.
Expremido o sumo do sonho
Batido com água e açúcar.
Antes terem-se tornado suco
A serem nada.
Dos homens que amei,
Que não me amaram,
Fazer tudo pizza
Afinal, todos temperos iguais
De mesmo sabor e qualidade.
Dos erros que cometi,
Podia fazer lixo,
Reciclar os potinhos,
Algo se salvaria.
Dos amores que não quis,
Não vivi,
Deveria ter tirado o açúcar,
Feito rapadura,
Sempre há um doce,
A se tirar do azedo.
Da minha vida,
deveria ter feito uma salada,
Está posta a mesa farta!
![]() | |||
|
|
|||
![]() | |||
![]() | |||
|
|||